30/05/2013
Há mais de 500 anos o Brasil foi invadido pelos colonizadores europeus. O objetivo foi o enriquecimento da Europa. Na realização deste objetivo, previa-se muito trabalho pesado e a solução encontrada pelos europeus foi à oficialização da escravidão no país como política econômica. As consequências desta política contaminaram negativamente as relações raciais e sociais em todo Brasil e até hoje estamos colhendo seus malefícios. Por exemplo: a Unicamp fez uma pesquisa em 1988, no centenário de abolição da escravidão, com 100 engenheiros negros e 100 engenheiros brancos empregados. O resultado: os engenheiros brancos ganham em média 28% a mais do que os engenheiros negros!
Através da bula Dum Diversas, de 16 de junho de 1452, o papa Nicolau V diria ao rei de Portugal, Afonso V: ...nós lhe concedemos, por estes presentes documentos, com nossa Autoridade Apostólica, plena e livre permissão de invadir; buscar, capturar e subjugar os sarracenos e pagãos e quaisquer outros incrédulos e inimigos de Cristo, onde quer que estejam, como também seus reinos, ducados, condados, principados e outras propriedades... e reduzir suas pessoas à perpétua escravidão, e apropriar e converter em seu uso e proveito e de seus sucessores, os reis de Portugal em perpétuo, os supramencionados reinos, ducados, condados, principados e outras propriedades, possessões e bens semelhantes... Em 8 de janeiro de 1554 estes poderes foram estendidos aos reis da Espanha.
Apoiados nesse documento, os reis de Portugal e Espanha promoveram uma devastação do continente africano, matando e escravizando milhões de habitantes. A África era o único continente do mundo que dominava a tecnologia do ferro e com esta invasão e massacre promovido pelos povos europeus, o continente africano ficou com as mãos e os pés amarrados e dessa forma permanece até hoje.
O projeto colonial português se afirmava desenvolvendo duas formas de intervenção drásticas para a sobrevivência dos povos indígenas: usurpação de suas terras e exploração da sua força de trabalho.Na realidade, os primeiros escravos do Brasil foram os índios, também chamados, na documentação oficial, de "negros da terra" ou "gentio da terra".
O poder colonial usou a igreja para impor seus interesses escravistas. Cada ser humano, até hoje, tem uma postura política e o poder faz uso desta postura conforme seus interesses.
De 1500 a 1842, a intenção da igreja de Roma era a de promover a fé cristã sob a ótica européia colonizadora. Os valores da cultura negra eram menosprezados pela cultura branca dominante.
O lugar ocupado pelo negro era o de escravo e a escravidão roubava dele o direito de constituir família organizada, de vivenciar suas tradições culturais, de resgatar suas raízes. O colonizador anunciava tudo isso como sendo a Boa Nova, mas, sob a ótica do povo negro escravo e oprimido, significava a extinção de seus valores culturais e religiosos.
A afirmação de que os negros foram providencialmente abençoados por Deus através da escravidão, aparece no sermão XXVII, de Antônio Vieira, onde ele diz, é particular providência de Deus que vivais de presente escravos e cativos para que por meio do cativeiro temporal consigais a liberdade ou alforria eterna.
A mensagem católica da época colonial enfatizava que a África era um continente demoníaco, e todos os seus habitantes já estavam condenados ao fogo eterno, devido à sua origem ligada ao pecado e à maldição de Cão (Cam).
Os religiosos da época legitimaram o processo de escravização dos negros, sobre a prerrogativa de que a única chance de um africano ter salvação da sua alma pré-condenada ao inferno seria sendo trazido para a América na condição de escravos, onde teria a oportunidade de contatar a cristandade , ouvir a pregação da mensagem cristã proferida pelos portugueses e espanhóis católicos, e receber o santo batismo.
A igreja católica estabeleceu um forte vínculo com o Império ratificando essa proposta e jamais se preocupou com uma ação libertadora, e sim com os privilégios obtidos a partir dessa parceria. Assim, a ICAR apoiava o Império nas lutas armadas contra os escravos negros. Colocou-se ao lado dos opressores diante da destruição dos Quilombos dos Palmares e do assassinato de Zumbi, além de ser conivente com o assassinato de Manoel Congo, líderes do povo negro que lutaram contra a escravidão e libertação de seu povo. Portanto, o Império concedia à Igreja poder e status para que ela também pudesse influenciar politicamente nos rumos do país.
A história do Brasil está assim misturada à história da escravidão. Podemos dizer que nos seus mais de quinhentos anos de existência, o Brasil tem funcionado sem escravos durante apenas 150 anos. Nos anos restantes, o país se fez à custa do suor e do sangue dos negros que chegavam às praias brasileiras, emergindo da travessia do Atlântico nos porões dos navios negreiros, onde sobreviviam apenas os mais fortes.
BIBLIOGRAFIA: __________. JORNAL HUMANITAS, ANO I - Nr 4, Recife-PE, novembro 2012 "O jornal dos livres pensadores".
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